Esperança - Ao vivo na Europa
Vencedor do Prêmio da Música Brasileira 2011 - Melhor Solista
Brasilianos teve o prazer de lançar em outubro de 2010 a celebração de 10 anos de Bandolim 10 cordas do compositor Hamilton de Holanda, 34 anos de idade e 29 de carreira profissional. Transgressor do instrumento e criador de uma técnica revolucionária, Hamilton decidiu em sua ultima turnê europeia gravar seus shows – Áustria, França, Finlândia, Alemanha e Suiça foram os países desta vez. Nasceu então ESPERANÇA - ao Vivo na Europa.
Esperança é um retrato desta técnica que o músico desenvolveu para se tocar o bandolim 10 cordas. Melodia, harmonia e rítmo. Tudo ao mesmo tempo. Esta exclusividade de se apresentar e gravar solo tem inspirado outros a iniciar este caminho,uma façanha que só Hamilton faz até o momento. Outro ponto importante é seu trabalho para a popularização do emblemático bandolim brasileiro através de suas composições, arranjos, parcerias e solos. No Brasil e no mundo.
O repertório é cheio de referências e reverências.
Hamilton reverencia os mestres, como na interpretação do choro Vou vivendo de Pixinguinha ou os afro-sambas Canto de Yemanjá e Canto de Ossanha, de Baden Powell e Vinícius de Moraes. Chico Buarque de Hollanda é lembrado em O que será, em um arranjo com caminhos de perguntas e respostas. A bela 7 anéis, de Egberto Gismonti, aparece como um acalanto.
Em suas novas composições, o bandolinista mostra caminhos que podem ser trilhados com o bandolim. Seja na mais swingada, Negro Samba, na mais virtuosística, Pros ajnos, na mais reflexiva, Esperança ou na mais singela, Etienne, Hamilton consolida uma maneira de expor ideias musicais e impressões sobre a vida com seu companheiro de viagens.
A técnica é super importante para se chegar ao resultado musical que o músico almeja. Mas o principal elemento é o que o bandolinista sempre cita: “o coração na ponta dos dedos.”
Apresentação do CD - por Marcos Portinari
Na boca do palco, por entre o zun-zun-zun da platéia, um último checklist: cordas novas, repertório, água, banco alto e o apoio para os pés, tudo preparado para zarpar. Como num filme dos irmãos Cohen, ou mesmo daqueles iranianos, o silêncio do camarim em Helsinki, com seus brancos graus abaixo de zero, é profundo e misterioso. Eis que aparece, sorridente, uma figuraça simpática querendo saber se pode dar o primeiro sinal. Faltam agora 10 minutos para começar.
Os shows solo são uma incógnita, tanto para o solista, como para platéia, estilo ame ou deixe. Ainda mais, pensar que este será de um bandolinista brasileiro. Para os debutantes expostos à nudez do acaso, fica a pergunta: será que vou gostar? Bandolim pode ter vigor, beleza e profundidade por pouco mais de uma hora? Do outro lado da cortina, outras dúvidas: qual o repertório e qual a ordem das músicas para tocar tantos corações, qual? A resposta vai aparecendo durante a turnê.
Nas caminhadas pelo rio em Frankfurt, conversamos muito sobre o bandolim ser apenas um instrumento para o músico exteriorar a alma ou se o instrumento Bandolim encapsula a forma do artista se expressar. Ficamos com a certeza das duas coisas. O Bandolim 10 cordas é um instrumento, mas também veiculo de expressão. Mais um sinal, faltam agora 5 minutos.
Hora daquela última ida ao banheiro antes de entrar. No caminho, por entre as cortinas, caixas e fios, vê-se velhos e futuros amigos que na sua maioria nasceram da democracia virtual. Que maravilha são essas plataformas de distribuição de vídeos (Youtube, Vimeo, Blip.tv, etc), que encurtam as distâncias continentais e com apenas um clique, por curiosidade ou indicação, permitem que as extremidades se encontrem e se aproximem. Uma amizade criada pela rede sendo ali o local mais apropriado para o primeiro encontro.
Quando ficou acertada a turnê européia, gravar um disco ao vivo era o correto a ser feito, um retrato das experiências vividas por lá. Para a incansável esperança de encontrar sua atenção e seu carinho, o artesão sai do conforto de sua casa e família enfrentando doídas horas aéreas e por terras.
O público é composto de 90 % ou mais de estrangeiros. Eles adoram ouvir nossa língua, mesmo assim não se pode faltar uma colinha com algumas palavras carinhosas no idioma local. Um privilégio enxergar rostos estreantes e antigos com sorrisos. Obrigado, bem-vindos, é um prazer estar aqui… Se som na palavra tem, como explicar a comovente compreensão e assimilação estrangeira sem a necessidade de palavras? Na fronteira, a palavra limita, mas não o som, onde a chave é a melodia. A palavra torna popular e extensivo, mas peca na extensão do sentimento e ali é que o som a ajuda. Quase como que faz o intermédio de um sequestro, neste caso, da sua alma.
Além da Finlândia, Áustria, França, Alemanha, Suiça.
A caravana segue por ar, terra e água sem perder o cortejo, dia e noite, desta sedutora dama da harmonia - a música. A labuta do artesão, com dedicação arqueológica, é encontrar as notas próprias como o extrato fotográfico da beleza.
Terceiro sinal, hora de começar o baile. Ambos cheios de antecipação onde os pares debutantes permanecem com a mesma pergunta, vou gostar? Mas é também na incerteza que nascem momentos super especiais. O impulso iniciado no coração produz uma avalanche, um choque das palmas que acalenta qualquer frio que não esteja no coração. A curiosidade por um instrumento é acalentada por notas mágicas e inesquecíveis e no tatear, o ritmo une solista e platéia que se esbarram num sorriso, fundem e regozijam em palmas e lágrimas onde o resultado você pode ouvir aqui.
*Hamilton usa bandolim Tércio Ribeiro e cordas Elixir.







